Blog Leandro Lima

Análises independentes sobre política

Por Leandro Lima

O Último Ato: A Oportunidade Perdida de Unir o Brasil

A corrente ideológica ligada a Lula utiliza frequentemente a história de Juscelino Kubitschek como uma "vacina" política. O argumento é que as anistias concedidas por JK aos militares que ensaiaram golpes no final dos anos 50 e início de 60 permitiram que esses mesmos atores se reorganizassem para 1964. Usando essa premissa histórica como justificativa para o endurecimento implacável contra os envolvidos no 8 de janeiro, Lula perdeu a grande oportunidade de apaziguar o país. Ao contrário de buscar a conciliação, decidiu se beneficiar da polarização que ele mesmo ajudou a criar, transformando a punição em combustível político em vez de ferramenta de reconciliação nacional.

1. O Espelho de Mandela e a Ousadia do Perdão

Se pensarmos "fora da caixinha", superando o trauma de 64 para olhar exemplos de sucesso, vemos que a maior experiência recente de apaziguamento político mundial foi liderada por Nelson Mandela contra o Apartheid. Para ganhar as eleições e, mais importante, para viabilizar o país após anos de opressão, Mandela convidou como vice o último presidente do sistema que o oprimia: Frederik Willem de Klerk. Ele entendeu que governar apenas para a sua base seria a ruína da nação.

2. A "Cópia" Brasileira: Forma sem Conteúdo

No Brasil, Lula até tentou dar uma "copiada" nessa estratégia, mas bem de longe. O convite a Geraldo Alckmin, adversário histórico, imitou a aparência da união de Mandela, garantindo a vitória nas urnas. Contudo, as semelhanças param por aí. O problema reside na decisão deliberada do governo de não estender esse espírito conciliador para a sociedade. Enquanto Mandela trouxe o inimigo para perto para curar a África do Sul, a "Frente Ampla" brasileira serviu para vencer a eleição, mas a governança continua operando na lógica do "nós contra eles".

3. O Peso da Liderança Continental

Como maior líder político do Brasil e, possivelmente, da América Latina — goste-se dele ou não —, Lula é o único ator capaz de encabeçar este apaziguamento. Essa posição única aumenta drasticamente sua responsabilidade. Ao optar pelo confronto contínuo, o Brasil perde a possibilidade de cicatrizar suas feridas e de ter um governo mais equilibrado, que agradasse à maioria sem deixar de lado as minorias. A polarização pode ser útil eleitoralmente, mas é prejudicial administrativamente.

4. O Final Perfeito que Não Aconteceu

Seria um final perfeito para a trajetória fantástica do torneiro mecânico que se tornou líder sindical, do líder que presidiu o maior partido da América Latina e chegou três vezes à Presidência da República. O desfecho épico dessa biografia seria a transformação do Presidente combativo no "Pai da Nação" pacificada. Infelizmente, o governo parece ter escolhido a trincheira em vez da ponte, deixando incompleto o legado de quem poderia ter reunificado o Brasil.