Análises independentes sobre política
O vídeo "Adultização", de Felca, com mais de 24 milhões de visualizações, expôs a preocupante prática da "adultização" de crianças e adolescentes nas redes sociais. Nessa prática, menores são expostos a conteúdos inadequados, o que levanta sérias questões sobre exploração.
No vídeo, Felca acusou explicitamente influenciadores como Hytalo Santos de lucrar com essa exploração, descrevendo-a como um "circo macabro". A repercussão foi imediata: a conta de Hytalo Santos no Instagram foi desativada, e o Ministério Público da Paraíba, que já o investigava por exploração de menores, intensificou as ações.
A denúncia de Felca também mobilizou o Congresso Nacional. O presidente da Câmara, Hugo Motta, prometeu priorizar projetos de lei para proteger crianças online, o que resultou na apresentação de pelo menos 17 novas propostas legislativas desde a publicação do vídeo.
A "adultização" é uma forma de exploração infantil online que se encontra em uma "zona cinzenta" legal. É uma prática prejudicial, mesmo sem ser explicitamente ilegal. Especialistas apontam que os algoritmos das redes sociais, ao priorizarem o engajamento, amplificam inadvertidamente esses conteúdos, tornando o ambiente digital perigoso.
Dados da SaferNet, uma ONG brasileira que atua no combate a crimes e violações de direitos humanos na internet, mostram um cenário alarmante: um aumento de 70% nas imagens de abuso e exploração sexual infantil online no Brasil nos primeiros quatro meses de 2023. Esse foi o maior aumento desde 2020. Além disso, o Brasil é o 5º país global em denúncias de abuso sexual infantil online, com mais de 52.000 páginas denunciadas em 2024.
Esse quadro é agravado por dois fatores: o maior acesso de crianças à internet no período pós-pandemia e a dificuldade da inteligência artificial em detectar conteúdos sutis que se enquadram na "zona cinzenta".
A exposição do problema por um influenciador como Felca foi fundamental para mobilizar autoridades como o Congresso Nacional e o Ministério Público. A partir dessa denúncia, a discussão sobre a proteção de crianças e adolescentes no ambiente digital ganhou urgência, levando à apresentação de novas propostas legislativas.
Essa situação aponta para uma crise de representatividade, em que a população, em muitos momentos, se sente mais representada por influenciadores do que por seus representantes públicos. Para combater essa realidade, é essencial que os legisladores ajam de forma proativa. Eles devem criar leis que criminalizem a "adultização" e a sexualização digital, fortalecendo a fiscalização e a cooperação internacional.
As plataformas digitais, por sua vez, precisam redesenhar seus algoritmos para priorizar a segurança infantil, implementando moderação proativa e aumentando a transparência.