Análises independentes sobre política
Quando Lula se sagrou vencedor no segundo turno das eleições para Presidente, boa parte da população se inflamou. Marchando de verde e amarelo, muitos se propuseram, de forma corajosa, a demonstrar suas insatisfações – a meu ver, de forma bem tardia. É justo que se manifestem pacificamente, mas é perigoso que se proponha uma ruptura no estado democrático de direito, mesmo que existam questionamentos sérios sobre a forma como as eleições aconteceram.
É bom lembrar que questionar os resultados eleitorais não é novidade. No pleito de 1998, em que os principais concorrentes eram FHC e Lula, houve declarações fortes de líderes petistas sobre a legitimidade da eleição. Para ser preciso, a palavra "fraude" também foi usada. O resto da história já sabemos: Lula transformou sua fúria pela derrota em sua versão mais aclamada, a "paz e amor", e venceu o pleito em 2002, já contra Serra. Claro que não quero aqui fazer recortes de momentos diferentes e tratá-los de forma igual, mas analisar é um exercício de olhar as duas faces da mesma moeda.
O perigo de qualquer ruptura é que não existe garantia de que tal ação tornará as coisas melhores. Por outro lado, a democracia é o único regime capaz de impedir que os maus governantes se perpetuem no poder. Por isso, fica um alerta: as rupturas, ainda mais quando acontecem de forma brusca, geralmente são seguidas por uma alta concentração de poder nas mãos de poucos indivíduos que, sem os pesos e contrapesos, quase sempre caminham a passos largos para o fracasso. O que está ruim pode se tornar pior.